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sábado, 20 de abril de 2013

A que ponto chega a falta de vergonha dos mais privilegiados

Auxílio-moradia dos juízes: uma afronta aos trabalhadores

A Associação dos Juízes Federais (Ajufe) apresentou ao Conselho de Justiça Federal, em sua terceira tentativa de obter o benefício, requerimento para que todos os magistrados federais tenham direito ao auxílio-moradia. A Ajufe alega que a medida tem respaldo na Lei Orgânica da Magistratura Nacional (Loman) e no Estatuto dos Servidores Públicos.

Penso eu, todos os que têm um mínimo de senso de justiça não estamos nem um pouco preocupados em saber se a medida é legal ou não, ou se existem artifícios jurídicos que conseguem provar sua legalidade ou não. Se a medida for legal, a lei é injusta e deve ser mudada. O que importa não é a legalidade, mas a moralidade da medida. Está mais do que claro que o auxílio-moradia dos juízes é uma imoralidade pública, uma vergonha nacional e uma afronta aos trabalhadores, sobretudo aos que ganham salário mínimo.

E os juízes estaduais? Vejam como exemplo o caso do estado de Goiás. É realmente o cúmulo do absurdo: “138 juízes recebem auxílio-moradia em Goiânia. Juízes e desembargadores da comarca de Goiânia, com residências na própria capital e salários entre R$ 20,6 mil e R$ 25,3 mil, começaram a receber na última semana o auxílio-moradia, o que vai gerar gastos de R$ 4,05 milhões, por ano. São 138 magistrados da comarca da cidade que passaram a ter o benefício a partir da folha de pagamento de fevereiro. Mas, se considerado o valor repassado a todos os 341 magistrados do estado assistidos (95,8% do total), o impacto nos cofres públicos mais que dobra, chegando a R$ 9,5 milhões anuais” (O Popular, 04/03/13, p. 3).

Trata-se de uma aberração jurídica, que clama por justiça. “O benefício passou a ser garantido pela Lei Estadual nº 17.962/2013 - publicada no Diário Oficial (DO) em 10 de janeiro. Prevê o pagamento mensal de ajuda de custo de natureza indenizatória aos magistrados da ativa, no porcentual de 10% de seu vencimento. A concessão do auxílio foi aprovada, em segunda e última votação, pela Assembleia Legislativa do Estado, em 5 de dezembro de 2012, e segue previsão da Lei Orgânica da Magistratura Nacional (Loman), de 1979, anterior à Constituição. Com base no menor subsídio, o de juiz substituto, de R$ 20,6 mil, cada magistrado nesse patamar vai receber, todo mês, pelo menos R$ 2,06 mil de auxílio-moradia, o equivalente a R$ 24,72 mil por ano. Por outro lado, um desembargador, com vencimento de R$ 25,323 mil, terá, mensalmente, R$ 2,5 mil de benefício, ou R$ 30 mil anuais. Como a verba é indenizatória, não está sujeita à cobrança e Imposto de Renda. Em Goiás, há hoje 356 magistrados na ativa, muitos moram em condomínios horizontais de alto padrão ou têm apartamentos amplos em bairros nobres da cidade. São 321 juízes e 35 desembargadores (...)” (Ib.).

Digo mais: o auxílio-moradia é, sem dúvida nenhuma, uma imoralidade pública, legalizada e institucionalizada, não só para os juízes que têm residência oficial na comarca onde atuam, mas para todos os juízes. Com o salário que os juízes ganham, a própria residência oficial, paga com dinheiro público (que é dinheiro do povo), é também uma imoralidade. Pergunto: por que os juízes devem ter residência paga com dinheiro público? As outras categorias de trabalhadores não cuidam da própria residência com o seu salário? Por que tanta mordomia para os juízes? Não deveríamos ser todos iguais perante a lei?

O descaramento é tanto que, quando achamos que chegou ao seu limite máximo, mais falcatruas aparecem. A respeito dos magistrados federais e estaduais (juízes e desembargadores), fala-se também de auxílio-alimentação, de auxílio-mudança e gratificação para compra de livros. Realmente, não dá para entender! A desigualdade social é gritante e repugnante.

Quando será que o Poder Judiciário, federal e estadual, criará vergonha na cara? Como podemos confiar em juízes que defendem tamanha imoralidade? Eles não têm as mínimas condições de promover a justiça.

Diante dessa situação, não podemos ficar calados e aceitar passivamente. Precisamos manifestar publicamente a nossa indignação, denunciar a injustiça e lutar para mudar a realidade. Como diz o ditado do povo: a união faz a força. Uma outra sociedade é possível!

Escrito por Frei Marcos Sassatelli, frade dominicano e doutor em Filosofia (USP) e em Teologia Moral (Assunção - SP), é professor aposentado de Filosofia da UFG.

Pra refletir sobre quem é realmente civilizado

http://br.noticias.yahoo.com/blogs/3-por-4/%C3%ADndios-isolados-trabalhadores-em-fuga-um-encontro-amaz%C3%B4nico-184758000.html

Índios isolados, trabalhadores em fuga: um encontro amazônico

Os seis trabalhadores da construção civil estavam perdidos em meio à floresta amazônica, no norte de Rondônia. Algumas horas antes, eles tinham corrido mato a dentro para fugir do caos que tomara o canteiro de obras da usina hidrelétrica de Jirau, onde a Polícia Militar reprimia o movimento grevista, em 2011. Depois de andar cerca de seis quilômetros, o grupo tentava encontrar o caminho de volta à obra, ou a estrada, ou qualquer sinal de urbanidade. Sem sucesso.
Ao invés disso, foram encontrados.
Sem perceber que estavam sendo cercados, os trabalhadores uniformizados se viram rodeados por oito índios nus. Eles tinham o rosto e corpo pintados, flechas em punho e “murmuravam" palavras em uma língua que os trabalhadores não conheciam. Mas logo interpretaram o sentido: estavam rendidos.


 
Índios isolados no Acre, fotografados pela Funai em 2008



Hoje, excepcionalmente, esse espaço não será dedicado a um retrato, mas a um encontro. Encontro que pode servir de pista para compor o retrato dos povos indígenas que habitam o nosso país e os quais temos tanta dificuldade de entender.

Assustados, os trabalhadores da usina se comportaram como prisioneiros dos índios. Seguiram seus passos e pararam quando eles sinalizaram. O coração disparava a cada vez que os índios se reuniam em círculo. Observaram a construção de uma espécie de churrasqueira com gravetos, onde um porco do mato foi assado. Disfarçando o mal estar, comeram cada pedaço de carne que lhes foi oferecido. À noite, um dos trabalhadores foi repreendido pelos colegas por espiar os seios da índia mais nova, a regra era olhar para o chão.

A madrugada avançou, alguns índios deitaram e adormeceram. Os trabalhadores ficaram alertas. Pela manhã, caminharam até chegar a um local onde se ouvia um barulho familiar. Os índios sinalizaram em direção ao som, disseram algumas frases que ninguém entendeu e foram embora. Os trabalhadores correram na direção indicada até que, exaustos, chegaram à rodovia federal BR 364.

Esse relato foi registrado pela historiadora Ivaneide Bandeira Cardozo, da ONG indigenista Kanindé, que entrevistou um dos trabalhadores na presença de um funcionário da Funai (Fundação Nacional do Índio). Ela acredita que os homens e mulheres descritos sejam parte de um grupo que a entidade e a Funai tentam rastrear há anos. “Pela descrição, parecem ser Kawahiba isolados”.

“Isolados” são os índios que não têm contato com a nossa sociedade, ou porque nunca cruzaram com um não-índio (casos cada vez mais raros) ou porque recusam o contato.

Na região que foi alagada pela usina de Jirau, havia rastros de um grupo isolado e nômade. A empresa repassou dinheiro para que a Funai mapeasse esses rastros. Depois de identificados, eles deveriam ganhar uma área de proteção. Mas o investimento não foi suficiente para encontrar ou proteger os índios.

Ao contrário, foram eles que encontraram e salvaram os funcionários da usina. “É difícil entender o que passou na cabeça dos índios quando viram os trabalhadores perdidos”, reflete Ivaneide. “Por que decidiram ajudar? Nunca vamos saber”.

O encontro ocorrido em 2011 é o reflexo oposto do desencontro que se deu na Câmara dos Deputados essa semana. Na terça dia 16, em uma cena inédita, os deputados federais correram pelo plenário como uma manada assustada. Fugiam de homens seminus, pintados de urucum e que balançavam seus chocalhos para protestar contra a mudança da lei que define como as terras indígenas são demarcadas.




Se o comportamento dos índios isolados e dos deputados deixa alguma pista, é que continuamos longe de entender os povos que habitam a nossa terra.

Quando retornaram à usina, os trabalhadores contaram sobre o encontro, mas o supervisor deu risada, chamando-os de mentirosos. Como se fosse impossível haver índios nas proximidades da obra, cravada no meio da floresta amazônica.

Para Ivaneide, a precisão dos detalhes é a maior evidência da veracidade da história. “Os trabalhadores eram de outros estados, uma pessoa sem convivência com indígenas não poderia saber tanto. Ele descreveu a pintura no peito, os traços no rosto dos homens, diferente das mulheres, a pena do gavião real, como tratavam a ponta das flechas. Até os detalhes de como montaram o moquém, que é onde assam a carne”. Segundo ela, o relato bate com hábitos comuns a etnias que vivem ou viveram na região, algumas consideradas extintas.

Existem 82 pistas de grupos indígenas isolados no Brasil, é a maior concentração de povos isolados do mundo. Em março desse ano, os funcionários da Funai fizeram uma carta aberta com um “pedido de socorro”. Nela, escrevem que não há equipe para proteger esses grupos, cujos territórios estão sendo invadidos pelas grandes obras, madeireiros e traficantes.

Como lidar com índios isolados é um dos temas mais complexos dentro da política indigenista. Talvez a pequena mensagem deixada pelo grupo que resgatou os trabalhadores e pelos que invadiram o congresso seja justamente sobre os nossos limites. Os índios tem um modo diferente de ser, nem sempre seremos capazes de entende-los. Talvez esses encontros sejam os momentos para refletir sobre os impactos das nossas escolhas. E fazer um esforço para, a partir dessa nova realidade, respeitar as escolhas deles.

sexta-feira, 12 de abril de 2013

A Boliviana que Falou


http://br.noticias.yahoo.com/blogs/3-por-4/boliviana-que-falou-163058884.html


Tainá tem boas recordações dos quatro dias de viagem que fez ao lado da mãe no trajeto de La Paz, capital da Bolívia, até São Paulo. Pulando de ônibus em ônibus, entre rodoviárias e longas filas nos guichês de imigração, as duas mal conseguiam dormir de tanta saudade para matar. “Eu fui contando tudo que não tinha falado pelo telefone naqueles anos. A gente ria e chorava junto”.

O reencontro era esperado. Tainá viveu dos 7 aos 17 longe da mãe, período em que morou e trabalhou na casa da madrinha na capital boliviana. A mãe mora no Brasil desde que Tainá tinha 3 anos. No começo, ela até tentou conciliar o trabalho em oficina de costura com a presença da filha pequena. Tainá morou em São Paulo dos 3 aos 7 anos e lembra passar tardes amarrada num canto, junto com o cachorro, para que não pudesse se aproximar das máquinas. Por situações como essa, sua mãe julgara que era melhor viverem separadas.

O retorno ao Brasil vinha cheio de promessas: morar com a família, voltar a estudar, ter um bom emprego.
Alguns anos depois de sua chegada, porém, Tainá se viu no mesmo lugar da mãe quando tiveram que se separar. Em uma oficina de costura abafada, obrigada a trabalhar das 7 da manhã às 10 da noite enquanto a filha de 2 anos circulava entre as máquinas. Tainá estava grávida do namorado, com quem morava no mesmo local de trabalho.

 
Tainá, grávida de 8 meses

No fim da jornada, pegava fila para tomar banho no único banheiro disponível para os 17 bolivianos que trabalhavam e moravam no local. E, finalmente, deitava no quarto sem janelas, onde a cama disputava espaço com a pia e o fogão. Ao fim do mês, não chegava perto do pagamento, que ficava com o namorado, que era primo do dono da oficina.

Também boliviano, para o dono não era difícil controlar os trabalhadores. A maioria era recém chegada no Brasil, não falava português e ainda devia o valor da viagem a ele. Tainá ouviu o dia em que um grupo pediu licença para tirar os documentos brasileiros e o dono disse que teriam de pagar multa, pois eram ilegais. Uma mentira, já que a Bolívia pertence ao Mercosul e os bolivianos podem circular livremente no Brasil.
Para trabalhar, basta um registro no consulado.

Eles estavam no mesmo lugar, mas Tainá tinha condições diferentes. Ela já falava português e sabia circular pela cidade. Quando pedia para ir ao médico, levava bronca e recebia ameaças, mas não desistia. Quando insistiu em sair para fazer o pré-natal, o marido lhe empurrou com força e a fez cair. Levantou-se e, no dia seguinte, argumentou de novo.

Quando finalmente conseguiu sair para uma consulta, desabafou com a enfermeira. Ao falar, quebrou o abismo que separa a comunidade boliviana dos direitos e obrigações trabalhistas no Brasil. Tainá contou sobre a exaustão diária, as ameaças e as agressões. A Unidade Básica de Saúde entrou em contato com o Centro de Defesa e Convivência da Mulher Mariás, que acionou o Disque 100. Semanas depois, recebeu uma ligação no celular: “prepare-se, a equipe de fiscalização do trabalho está chegando”.

“De repente entrou um monte de gente, ficamos muito assustados”. Quando ouviram os fiscais do trabalho falando em espanhol, os bolivianos responsáveis pela oficina passaram a dar ordens em Aimará, língua de origem indígena falada nos países andinos. “Mandavam a gente ficar quieto e mentir que o trabalho era só até às 19h”, lembra Tainá. Uma parente do dono percebeu que ela fizera a denúncia e lhe ameaçou na frente dos fiscais, que não entenderam suas palavras: “você vai pagar e não vai ficar barato”.

A ação concluiu que as condições eram similares ao trabalho escravo e a oficina foi interditada. Como sofreu agressão física, Tainá foi levada a um abrigo para mulheres. Os outros bolivianos ficaram no local e o mais provável é que, a essa altura, estejam de volta a oficinas similares.

A ação ocorreu em janeiro e foi uma de muitas promovidas pela Superintendência regional do Trabalho e Emprego de São Paulo. Estima-se que existam ao menos 8 mil oficinas assim na grande São Paulo, onde trabalham cerca de 100 mil bolivianos, paraguaios e outros sul-americanos.

Essa rede sustenta marcas famosas, que possivelmente estão na etiqueta da roupa que você veste. As fiscalizações já flagraram trabalho escravo em oficinas que forneciam para a cadeia produtiva da Zara, Pernambucanas, Marisa, C&A, Gregory, Collins, 775 além da empresa GEP, formada pelas marcas Cori, Luigi Bertolli e Emme, e que pertence ao grupo que representa a grife internacional GAP no Brasil.

Tudo que Tainá quer, agora, é se livrar dessa cadeia. É como se ela estivesse percorrendo uma segunda viagem ao Brasil, dessa vez para um país diferente. No abrigo onde aguarda o nascimento do segundo filho, ela estuda e faz acompanhamento psicológico. Terá tempo para planejar como reconstruir a vida com os 18 mil reais que recebeu como indenização trabalhista, mais o auxílio desemprego e maternidade. Por enquanto, o plano é alugar uma casa e procurar trabalho como assistente de cozinha. “No começo, pensava em voltar pra casa da minha mãe, voltar a costurar, mas acho que estava muito dependente daquela vida”, Tainá reflete, e conclui: “preciso encontrar o meu lugar”.

*o nome foi trocado para proteger sua identidade. “Tainá” foi o nome escolhido pela entrevistada.

Câncer: uma arma secreta?


[Imagem: cancer_gun.png]

Um artigo publicado no início de 2012 pelo jornal The Guardian revela que a CIA desenvolveu uma pistola para gerar células cancerígenas e faz um grande apanhado dos líderes da esquerda e adversários dos Estados Unidos que morreram por tal enfermidade.

(...)
Parece exagerado? WikiLeaks reportou que em 2008 a CIA pediu à sua embaixada no Paraguai que obtivesse todos os dados biométricos, incluindo o DNA, dos quatro candidatos presidenciais.

Os teóricos em conspirações caribenhos que a CIA também teve envolvimento nas mortes do ativista pelos direitos civis de Trinidad y Tobago e pan-africanista Kwame Ture, o legendário ícone do reggae Bob Marley e o primeiro-ministro dominiquense Rosie Douglas.

Durante a investigação do Comitê Seleto de Inteligência do Senado dos EUA, sobre os complôs de assassinato da CIA contra líderes estrangeiros em 1975, revelou-se que a agência havia desenvolvido uma pistola com dardos venenosos que causavam ataques cardíacos e câncer.

A pistola disparava um dado com uma ponta com veneno líquido congelado, da grossura de um fio de cabelo humano e de um centímetro, que podia penetrar a roupa, era quase impossível de detectar e não deixava rastros no corpo da vítima.


Kwane Ture, ou Stokely Carmichael, o radical ex-líder dos Panteras Negras que inaugurou o Movimento do Poder Negro de 1960, morreu afirmando que a CIA o havia envenenado com câncer. Ture morreu de câncer de próstata aos 57 anos, em 1998. Seu amigo, artista multimídia e ativista Wayne Rafiki Morris afirmou que Ture disse que "sem dúvida" a CIA lhe induziu o câncer.

Bob Marley morreu de melanoma em 1981. Tinha 36 anos. O relatório oficial diz que contraiu câncer em 1977, após se queixar do pé, que nunca sarou, após jogar futebol. Os teóricos de conspirações alegam que Marley recebeu de Carl Colby, filho do ex-diretor da CIA William Colby, um par de botas com uma peça de arame de cobre em seu interior, que estava coberto com uma substância cancerígena que atingiu seu dedão.

No que se refere a sapatos envenenados, há uma atemorizante semelhança entre Marley e Castro. No caso de Marley, supostamente a CIA utilizou câncer em suas botas; para Castro, colocou os altamente venenosos sais de tálio em seus sapatos.

Depois de só oito meses após ter sido eleito primeiro-ministro da Dominica, o político radical Rosie Douglas foi encontrado morto no piso de sua residência em 2000.

A causa da morte foi atribuída como o resultado de um ataque massivo de coração. Seu coração era o dobro de seu tamanho normal. Como no caso de Ture e Marley, faziam exercício com regularidade.

O filho mais velho de Douglas, Cabral, insistiu que seu pai havia sido assassinado e também sugeriu a participação da CIA. Em 1998, reportou-se que Moshood Abiola, o homem que se pensa ter ganhado as eleições de 1993 na Nigéria, foi morto de um ataque de coração após lhe darem um coquetel que expandiu seu coração ao dobro de seu tamanho.

Jack Ruby, assassino de Lee Harvey Oswald, o suposto assassino do presidente dos EUA John F. Kennedy, morreu de câncer pulmonar em 1967. O estranho é que as células cancerígenas não eram do tipo que se originam no sistema respiratório. Disse à sua família que haviam lhe injetado células de câncer na prisão, quando havia sido tratado com injeções por um resfriado. Morreu justamente antes de testemunhar ante o Congresso.

O bombardeiro de Lockerbie, Abdelbaset al-Megrahi, desenvolveu câncer terminal. O líder do partido de oposição canadense, de tendências esquerdistas, o Novo Partido Democrático (NPD), Jack Layton morreu – de uma forma de câncer desconhecida – em 2011. Parece que ter tendências de esquerda pode ser perigoso para a saúde.

Desde 1953, os russos usaram micro-ondas para atacar o pessoal da Embaixada dos Estados Unidos em Moscou. Um terço do pessoal eventualmente morreu de câncer por causa da radiação de micro-ondas. Imagina o quão avançada e sofisticada que se tornou no presente a tecnologia do assassinato.

***

Texto publicado no dia 27 de fevereiro de 2012 no The Guardian


Tradução do inglês para o castelhano por Franco Cubello



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Fontes:

http://www.diarioliberdade.org/mundo/dir...creta.html
http://forum.antinovaordemmundial.com/Topico-c%C3%A2ncer-uma-arma-secreta-da-cia

quinta-feira, 11 de abril de 2013

Entendendo a Coreia do Norte




ESCRITO POR LUIZ EÇA

TERÇA, 09 DE ABRIL DE 2013


Vamos voltar para 1953.

Foi quando terminou a Guerra da Coreia com um armistício, um simples acordo de não agressão que equivale a uma interrupção das hostilidades, as quais, aliás, poderiam ser retomadas a qualquer momento.

Tendo começado em 1950, a guerra opôs as duas Coreias entre si, sendo que a do Norte – comunista – contou com a ajuda do exército chinês, e a do Sul – capitalista –, com forças estadunidenses e de 26 outros países da ONU.

Os EUA se envolveram profundamente no conflito. Seus bombardeiros despejaram uma média diária de 800 toneladas de bombas e napalm, mais do que na guerra contra o Japão.

Foram destruídos quase todos os prédios públicos norte-coreanos e, muito mais grave, mortos cerca de 1.550.000 habitantes do país.

O horror que os bombardeios estadunidenses provocaram no povo foi cultivado nos anos subsequentes pela imprensa e os políticos da Coreia do Norte.

Desde 1953, há 60 anos, portanto, uma propaganda maciça estimula no povo o medo de uma nova agressão dos EUA, com os morticínios e destruições que causaram no passado.

Este sentimento é reforçado pela existência de bases na Coreia do Sul, onde a Casa Branca tem mantido entre 25 mil e 60 mil soldados, desde 1953. Prontos para atacar a vizinha Coreia do Norte, no entender do povo do país.

Outra linha-mestra da propaganda oficial tem sido acusar o imperialismo norte-americano e seus lacaios sul-coreanos pelos principais males da região.

A fome, a falta de habitações, a crise de eletricidade, tudo seria consequência das manobras internacionais dos EUA contra o governo de Piongiang.

Agora, vamos saltar para 1998.

Nesse ano, o então presidente Kim Jong Il resolveu tornar seu país a primeira “monarquia” comunista, garantindo sua sucessão para seu filho Kim Jong-un.

Para dobrar a resistência dos líderes partidários, ele buscou o apoio dos militares, que constituem uma classe extremamente poderosa na Coreia do Norte.

Ele o ganhou modificando a Constituição para reduzir os poderes do Partido Comunista em favor da Comissão de Defesa Nacional – onde os militares são maioria.

Essa situação, o chamado sistema songun, na qual uma junta militar de fato divide o governo com o presidente, se manteve até agora, com Kim Jong-un dando as cartas, a partir da morte do pai.

Nos últimos meses, porém, anuncia-se uma grande quebra na colheita de cereais. A fome será inevitável, espalhando sofrimento e raiva por todo o país.

Embora muita gente pense o contrário, mesmo nos sistemas autoritários a revolta do povo ameaça a estabilidade do regime.

Além de ter de lidar com esse problema, Kim Jong-un está diante de outro, tão ou mais grave: sérias tensões entre o exército e o partido. É difícil dizer de que lado ele está.

No ano passado, Kim Jong-un foi alvo de uma tentativa de assassinato, cuja autoria não foi esclarecida. É certo que o ditador está sob forte pressão.

Uma prova é a demissão do general Kim Yong Choi do importante Birô Geral de reconhecimento e sua súbita e inesperada reabilitação.

Outra vem da íntima ligação de Kim Jong com seu tio, Jang Sung Taek, o vice- presidente e número 2 do regime.

Firme aliado da China e adepto das reformas econômicas de Pequim, Jang Sun Taek já declarou desejar sua aplicação na Coreia do Norte.

Seria uma mudança total no sistema.

Para poderosas forças no partido e/ou no exército, essas ideias representam verdadeiros sacrilégios.

Temem que o presidente também pretenda imitar as políticas chinesas. Por isso mesmo, ele estaria prestigiando tanto o seu tio.

Fragilizado pela fome que começa a crescer no país, Kim Jong-un tem de enfrentar as desconfianças e pressões desses grupos.

O caminho que ele parece ter escolhido foi desafiar os EUA, inimigo número 1 da Coreia do Norte.

Apresentando-se como o defensor do povo contra as tenebrosas maquinações e agressões dos EUA e seus fantoches sul-coreanos, o jovem presidente visa conquistar “hearts and minds” dos norte-coreanos.

Quando ele ameaça atacar, atingindo até o território dos EUA com seus mísseis, mostra-se como um verdadeiro herói, um Davi enfrentando o Golias ianque.

Essa postura tem também outro alvo: os militares e/ou os radicais do partido, de um lado satisfazendo sua belicosidade, do outro usando a pressão popular para forçá-los a aceitar a hegemonia de Kim Jong-un.

Lembre-se que a guerra verbal do governo não foi desencadeada gratuitamente. Primeiro, anunciou testes com novos mísseis de longo alcance.

Para o público interno, era uma medida defensiva contra um inimigo que mantinha ameaçadoras bases militares em volta de suas fronteiras.

Os EUA não concordaram, consideraram uma atitude agressiva. Mobilizada por eles, a ONU decretou sanções punitivas contra a Coreia do Norte.

Que respondeu fazendo um teste nuclear subterrâneo. Vieram novas sanções. E, a seguir, os EUA pisaram na bola.

Realizaram jogos de guerra com a Coreia do Sul, cujo tema era o bombardeio da Coreia do Norte, usando, inclusive, dois aviões B-2, com capacidade nuclear.

Claro, o presidente norte-coreano aproveitou a deixa para elevar o tom de suas ameaças e, consequentemente, sua imagem junto ao povo norte-coreano.

Como vai acabar isso, não se sabe. É de se crer que Kim Jong não pode, de repente, calar a boca e dar o dito por não dito. Seu cargo ficaria em risco.

Será necessário que os EUA atendam a, pelo menos, alguma parte das reivindicações tradicionais da Coreia do Norte, que são:

1 - assinatura de um tratado de paz entre as duas Coreias, com troca de embaixadores e reconhecimento diplomático da Coreia do Norte pelos EUA. Isso implicaria na supressão de todas as sanções e na liberação total do acesso da Coreia do Norte ao mercado internacional;

2 - fechamento das bases estadunidenses na Coreia do Sul, tornadas desnecessárias depois de as duas Coreias fazerem as pazes. Sua existência, queira-se ou não, representa uma ameaça permanente aos norte-coreanos;

3 - unificação dos dois países. Houve uma época em que eles estavam se relacionando até que bem. A Coreia do Norte propôs então que a divisão desaparecesse, conservando cada lado seu regime. Em outras palavras seria: um Estado, dois regimes. Comunista ao norte, capitalista ao sul. Parece absurdo.

Em todo o caso, a ideia não foi adiante porque os EUA se opuseram e o governo de Seul docilmente voltou atrás.

Há bons motivos para os comunistas serem favoráveis: sendo parte de um país unificado, a pobre Coreia do Norte se beneficiaria do apoio econômico da rica Coreia do Sul.

Não sabemos se atualmente o governo de Piongiang quer o fim da divisão. Provavelmente, não.

É de se crer que, havendo paz, a reunificação poderá acabar sendo avaliada.

Qualquer uma destas propostas dificilmente será integralmente aceita.

Para os interesses geopolíticos dos EUA é importante que a Coreia do Norte continue sendo a ovelha negra, que assusta Japão e Coreia do Sul. Sobretudo agora que a Coreia do Norte pode ter armas nucleares.

Assim, eles continuarão acolhendo bases estadunidenses em seu território para defendê-los de supostas agressões.

Segundo o secretário da Defesa, Chuck Hagel, a presença militar dos EUA não pode ser reduzida.

Ele disse: “a América não pode se dar ao luxo de retrair – temos muitos interesses globais em risco, inclusive nossa segurança, prosperidade e futuro”.

É de se crer que, depois de muitas ameaças de parte a parte, a Coreia do Norte poderá conseguir um novo armistício, com levantamento das sanções, mediante compromisso de não brincar mais com armas nucleares.

Talvez ganhe de presente algumas toneladas de cereais.

la nave va.

Luiz Eça é jornalista.

 Website: Olhar o Mundo.

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