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quinta-feira, 18 de agosto de 2011

Os saqueadores do dia contra os saqueadores da noite - por Naomi Klein - The Nation

http://provosbrasil.blogspot.com/2011/08/os-saqueadores-do-dia-contra-os.html
 
Os saqueadores do dia contra os saqueadores da noite
Claro que os tumultos de rua em Londres não foram protesto político. Mas o pessoal dos saques noturnos com certeza absoluta sabe que suas elites passaram o dia dedicadas aos saques diários. Saques são contagiosos. Alimentados por um sentido patológico de ‘direitos adquiridos’ pelos ricos, o grande saque global está em andamento à luz do dia, como se nada houvesse a esconder. Mas há, sim, temores ocultados. No início de julho, o Wall Street Journal, citando pesquisa recente, noticiava que 94% dos milionários temiam “a violência nas ruas”.

Leio comparações entre os tumultos em Londres e em outras cidades europeias – vitrines quebradas em Atenas, carros incendiados em Paris. E há paralelos, sem dúvida: uma fagulha lançada pela violência policial, um geração que se sente esquecida. Esses eventos foram marcados por destruição em massa, com poucos saques.

Mas tem havido saques em massa em anos recentes e acho que temos de falar também deles. Houve em Bagdá, logo depois da invasão norte-americana – um frenesi de destruição e saques que esvaziou bibliotecas e museus. Também em fábricas. Em 2004, visitei uma fábrica de refrigeradores. Os trabalhadores tinham saqueado tudo que havia ali de aproveitável, empilharam e incendiaram. No armazém ainda havia uma escultura gigantesca de placas de metal retorcido.

Naquela ocasião, os noticiários entenderam que teria sido saque altamente político. Diziam que aquilo exatamente seria o que aconteceria sempre que um governo não é considerado legítimo pelos cidadãos. Depois de ter assistido durante tanto tempo ao espetáculo de Saddam e filhos roubarem o que conseguissem e de quem conseguissem roubar, os iraquianos comuns sentir-se-iam, então, merecedores do direito de também roubar um pouco. Mas Londres não é Bagdá e o primeiro-ministro britânico David Cameron não é Saddam. Assim sendo, nada haveria a aprender dos saques em Londres.

Mas há exemplos no mundo democrático. A Argentina, em 2001. A economia em queda livre e milhares de pessoas vivendo em periferias destruídas (que haviam sido prósperas zonas fabris, antes da era neoliberal) invadiram e saquearam supermercados de propriedade de empresas estrangeiras. Saíam empurrando carrinhos abarrotados dos produtos que perderam condições para comprar – roupas, aparelhos eletrônicos, carne. O governo implantou “estado de sítio” para restaurar a ordem; a população não gostou e derrubou o governo.

Na Argentina, o episódio ficou conhecido como El Saqueo – o saque[1]. É exemplo politicamente significativo, porque a palavra aplica-se, na Argentina, também ao que as elites do país fizeram, ao vender patrimônio da nação à guisa de ‘privatizar’, em negócios de corrupção flagrante e enviando para o exterior o produto das ‘privatizações’, para, em seguida, cobrar do povo obediência a um brutal pacote de ‘austeridade’. Os argentinos entenderam que o saque dos supermercados jamais teria acontecido sem o saque anterior, muito maior, do próprio país; e que os reais gângsteres estavam no governo.

Mas a Inglaterra não é a América Latina e, na Inglaterra, não há tumultos políticos – ou, pelo menos, é o que nunca se cansam de repetir. Os jovens que devastaram ruas em Londres são crianças sem lei, que se aproveitam de uma situação, para roubar o que não lhes pertence. E a sociedade britânica, diz-nos Cameron, tem ojeriza a esse tipo de gente mal comportada.

Disse, e com ar sério. Como se os ‘resgates’ massivos dos bancos jamais tivessem acontecido, seguidos imediatamente do pagamento de escandalosos bônus recordes aos altos executivos. Depois, as reuniões de emergência do G-8 e do G-20, mas quais os líderes decidiram, coletivamente, nada fazer para punir os banqueiros por esse ou aquele crime, além de também nada fazer para impedir que crises semelhantes voltem a acontecer. Em vez disso, cada um daqueles líderes nacionais voltou aos seus respectivos países para impor sacrifícios ainda maiores aos mais vulneráveis. Como? A receita é sempre a mesma: despedir trabalhadores do setor público, fazer dos professores bodes expiatórios, cancelar acordos previamente firmados com sindicatos, aumentar as mensalidades escolares, promover rápida privatização de patrimônio público e reduzir aposentadorias e pensões. – Cada um que prepare a mistura específica para o país onde viva. E quem lá está, na televisão, pontificando sobre a necessidade de abrir mãos desses “benefícios”? Os banqueiros e gerentes de empresas de hedge-fund, claro.

É o Saqueo global, tempo de saques imensos! Alimentados por um sentido patológico de ‘direitos adquiridos’ pelos ricos, o grande saque global está em andamento à luz do dia, como se nada houvesse a esconder. Mas há, sim, temores ocultados. No início de julho, o Wall Street Journal, citando pesquisa recente, noticiava que 94% dos milionários temiam “a violência nas ruas”. Aí, afinal, um medo compreensível.

Claro que os tumultos de rua em Londres não foram protesto político. Mas o pessoal dos saques noturnos com certeza absoluta sabe que suas elites passaram o dia dedicadas aos saques diários. Saqueos são contagiosos.

Os Conservadores acertam quando dizem que os tumultos nada têm a ver com os cortes. Mas, sim, têm muito a ver com os cortados que os cortes cortaram. Presos longe, numa subclasse que infla dia a dia e sem as vias de escape que antes havia – um emprego no sindicato, educação barata e de boa qualidade –, eles estão sendo descartados. Os cortes são um sinal: dizem a todos os setores da sociedade que os pobres estão fixados onde estão – como dizem também aos imigrantes e refugiados impedidos de ultrapassar fronteiras nacionais cada dia mais militarizadas e fechadas.

A resposta de David Cameron às agitações de rua é tornar literal e completo o descarte dos mais pobres: fim dos abrigos públicos, ameaças de censura e corte das ferramentas de comunicação social e penas de prisão absolutamente inadmissíveis; uma mulher foi condenada a cinco meses de cadeia, por ter recebido um short roubado [e hoje, 17/8/2011, dois homens foram condenados a quatro anos de prisão, por incitarem tumultos pela internet, apesar de não se ter provado que sua ‘incitação’ levou a alguma consequência (NTs, com informações de Guardian em http://www.guardian.co.uk/uk/2011/aug/17/facebook-cases-criticism-riot-sentences)]. Mais uma vez a mensagem é clara contra os pobres que incomodam: sumam. E sumam em silêncio.

Na reunião “de austeridade” do G-20 em Toronto, os protestos viraram tumultos e vários carros da polícia foram incendiados. Nada que se compare a Londres 2011, mas o suficiente para deixar-nos, os canadenses, muito chocados. A grande discussão naquela ocasião era que o governo havia consumido $675 milhões de dólares na “segurança” da reunião (e ninguém conseguia sequer impedir o incêndio de carros da polícia). Naquele momento, muitos dissemos que o novo e caríssimo novo armamento que a polícia havia comprado – canhões de água, canhões de som, granadas de gás lacrimogêneo e munição revestida de borracha – não havia sido comprado para ser usado contra os manifestantes nas ruas; que, no longo prazo, aquele equipamento seria usado para disciplinar os pobres que, na nova era de ‘austeridade’, seriam empurrados para a perigosa posição de pouco terem a perder.

Isso, precisamente, é o que David Cameron absolutamente não entende: é impossível cortar orçamentos militares ou policiais, no mesmo momento em que você corta todos os gastos públicos. Porque, se o estado rouba os cidadãos, tirando deles o pouco que ainda têm, pensando em proteger os interesses dos que acumulam muito mais do que qualquer ser humano precisa para viver, é claro que deve esperar o troco ou, pelo menos, deve esperar resistência – seja a resistência de protestos organizados, seja a resistência das ondas de saques. Não é propriamente problema político: é problema matemático, físico.

[1] Ver, sobre esse período, Memoria del Saqueo, filme de Fernando “Pino” Solanas, Argentina, 2004. Pode ser baixado de http://docverdade.blogspot.com/2009/03/memorias-do-saque-memoria-del-saqueo.html [NTs].
Fonte:
http://www.thenation.com/article/162809/daylight-robbery-meet-nighttime-robbery?rel=emailNation
Tradução: Coletivo Vila Vudu
Retirado do: Carta Maior

José Serra, por meio de seus porta-vozes Folha e Veja, derrubou mais um Ministro

A carta de demissão de Wagner Rossi

Enviado por luisnassif, qui, 18/08/2011 - 07:52

"Só um político brasileiro tem capacidade de pautar "Veja" e "Folha" e de acumular tantas maldades fazendo com que reiterem e requentem mentiras e matérias que não se sustentam por tantos dias."

"Brasília, 17 de agosto de 2011

Neste ano e meio na condição de ministro da Agricultura do Brasil, consegui importantes conquistas. O presidente Lula fez tanto pela agricultura e a presidenta Dilma continuou esse apoio integralmente.
Fiz o acordo da citricultura, anseio de mais de 40 anos de pequenos e médios produtores de laranja, a quem foi garantido um preço mínimo por sua produção.
Construí o consenso na cadeia produtiva do café, setor onde antes os vários agentes sequer se sentavam à mesma mesa, com ganhos para todos, em especial os produtores.
Lancei novos financiamentos para a pecuária, recuperação de pastagens, aquisição e retenção de matrizes e para renovação de canaviais.
Aumentei o volume de financiamento agrícola a números jamais pensados e também os limites por produtor, protegendo o médio agricultor sempre tão esquecido.
Criei e implantei o Programa ABC, Agricultura de Baixo Carbono, primeiro programa mundial que combina o aumento de produção de alimentos a preservação do meio ambiente, numa antecipação do que será a agricultura do futuro.
Apoiei os produtores de milho, soja, algodão e outras culturas que hoje desfrutam de excelentes condições em prol do Brasil.
Lutei por nossos criadores e produtores de carne bovina, suína e de aves que são protagonistas do mercado internacional.
Melhorei a atenção a fruticultura, a apicultura e a produtos regionais, extrativistas e outras culturas.
Apoiei os grandes, os médios e os pequenos produtores da agricultura familiar, mostrando que no Brasil há espaço para todos.
Deus me permitiu estar no comando do Ministério da Agricultura neste momento mágico da agropecuária brasileira.
Mas, durante os últimos 30 dias, tenho enfrentado diariamente uma saraivada de acusações falsas, sem qualquer prova, nenhuma delas indicando um só ato meu que pudesse ser acoimado de ilegal ou impróprio no trato com a coisa pública.
Respondi a cada acusação. Com documentos comprobatórios que a imprensa solenemente ignorou. Mesmo rebatida cabalmente, cada acusação era repetida nas notícias dos dias seguintes como se fossem verdades comprovadas. As provas exibidas de sua falsidade nem sequer eram lembradas.
Nada achando contra mim e no desespero de terem que confessar seu fracasso, alguns órgãos de imprensa partiram para a tentativa de achincalhe moral: faziam um enorme número de pretensas "denúncias" para que o leitor tivesse a falsa impressão de escândalo, de descontrole administrativo, de descalabro. Chegou-se à capa infame da "Veja".
Tudo falso, tudo rebatido. Mas a campanha insidiosa não parava.
Usaram para me acusar, sem qualquer prova, pessoas a quem tive de afastar de suas funções por atos irregulares ou insinuações de que tinham atuado com interesses menos republicanos nas funções ocupadas. O principal suspeito de má conduta no setor de licitações passou a ser o acusador de seus pares. Deram voz até a figuras abomináveis que minha cidade já relegou ao sítio dos derrotados e dos invejosos crônicos. Alguns deles não passariam por um simples exame de sanidade.
Ainda assim nada conseguiram contra mim. Aí tentaram chantagear meus colaboradores dizendo que contra eles tinham revelações terríveis a fazer, mas que não as publicariam se fizessem uma só acusação contra mim. Torpeza rejeitada.
Finalmente começam a atacar inocentes, sejam amigos meus, sejam familiares. Todos me estimularam a continuar sendo o primeiro ministro a, com destemor e armado apenas da verdade, enfrentar essa campanha indecente voltada apenas para objetivos políticos, em especial a destituição da aliança de apoio à presidenta Dilma e ao vice-presidente Michel Temer, passando pelas eleições de São Paulo onde, já perceberam, não mais poderão colocar o PMDB a reboque de seus desígnios.
Embora me mova a vontade de confrontá-los, não os temo, nem a essa parte podre da imprensa brasileira, mas não posso fazer da minha coragem pessoal um instrumento de que esses covardes se utilizem para atingir meus amigos ou meus familiares.
Contra mim nem uma só acusação conseguiram provar. Mas me fizeram sofrer e aos meus. Não será por qualquer vaidade ou soberba minha que permitirei que levem sofrimento a inocentes.
Hoje, minha esposa e meus filhos me fizeram carinhosamente um ultimato para que deixasse essa minha luta estóica mas inglória contra forças muito maiores do que eu possa ter. Minha única força é a verdade. Foi o elemento final da minha decisão irrevogável.
Deixo o governo, agradecendo a confiança da presidenta Dilma, do vice-presidente Michel Temer, do presidente Lula e dos líderes, deputados, senadores e companheiros do PMDB e de todos os partidos que tanto respaldo me deram.
Agradeço também a todos os leais colaboradores do Ministério da Agricultura, da Conab, da Embrapa e de todos os órgãos afins. Penso assim ajudar o governo a continuar seu importante trabalho, retomando a normalidade na agricultura.
Finalmente, reafirmo: continuo na luta pela agropecuária brasileira que tanto tem feito pelo bem de nosso Brasil. Agradeço as inúmeras manifestações de apoio incondicional da parte dos líderes maiores do agronegócio e de suas entidades e também aos simples produtores que nos enviaram sua solidariedade.
Deus proteja o produtor rural e tantos quanto lutem na terra para produzir alimentos para o mundo. Deus permita que tenham a segurança jurídica necessária a seu trabalho que o Congresso há de lhes garantir. Lutei pela reforma do Código Florestal. É importante para o Brasil. Outros, talvez mais capazes, haverão de continuar essa luta até a vitória.
Confio que o governo da querida presidenta Dilma Rousseff supere essa campanha sórdida e possa continuar a fazer tanto bem ao nosso país.
Sei de onde partiu a campanha contra mim. Só um político brasileiro tem capacidade de pautar "Veja" e "Folha" e de acumular tantas maldades fazendo com que reiterem e requentem mentiras e matérias que não se sustentam por tantos dias.
Mas minha família é meu limite. Aos amigos tudo, menos a honra.

Wagner Rossi"

Veja quem são os jovens que protestam na Inglaterra

Países ricos saqueiam a Somália e depois fazem 'campanhas humanitárias' para aplacar fome que impuseram



Piratas. Os piratas da Somália. Quem são os verdadeiros piratas da Somália?

Assista a esse pequeno vídeo de pouco mais de 23', que mostra como EUA, Europa e Ásia arrasaram e ainda arrasam o país africano. Uma produção espanhola, de 2011, dirigida por Juan Falque.

Não é nenhuma maravilha em termos de linguagem cinematográfica. Longe disso. Mas denuncia o que se esconde por trás das "campanhas humanitárias" que sempre acompanham os momentos agudos da fome cotidiana da Somália.
Esse país foi vítima de uma colonização europeia que se estendeu até o séc. XX, quando então se tornou independente. Mas a democracia durou apenas 9 anos, pois os EUA conseguiram realizar o Golpe de Estado que deixou os somalianos de joelhos. Hoje, 2 décadas depois de ter se livrado do seu ditador, o país fragilizado é palco de uma epidemia de fome, guerras civis violentas. Nesse contexto não há como proteger suas fronteiras marítimas, que são invadidas por gigantescos barcos pesqueiros que se utilizam de todos os recursos ilegais banidos no resto do mundo para pescar o atum, ameaçando também gravemente a vida marinha da região. A ONU apesar dos inúmeros apelos, nada faz para mudar esse quadro perverso.


Link pro vídeo:

 

terça-feira, 16 de agosto de 2011

[11 de setembro: 10 anos] Ilustração de livro infantil americano

Governo americano lança livro de colorir para crianças de 3 anos. O tema são os atentados de 11 de setembro. Aqui uma das ilustrações "educativas":


Não contentes com o conteúdo violento ainda divulgam mentiras como a da gravura acima, na qual Bin Laden usa uma de suas esposas para se proteger dos tiros que o teriam matado ano passado.
É mentira. ele não fez isso.

Veja o livrinho completo: http://pt.calameo.com/read/000822895011399c0bd77


Fontes:

http://forum.antinovaordemmundial.com/Topico-eua-doutrina%C3%A7%C3%A3o-das-futuras-gera%C3%A7%C3%B5es-para-a-guerra-perpetua?pid=27958#pid27958

http://pt.calameo.com/read/000822895011399c0bd77

A guerra mundial das empresas contra os povos

http://observareabsorver.blogspot.com/2011/08/guerra-mundial-das-empresas-contra-os.html

As classes médias são transformadas em zumbis do consumo
      A derrubada das torres gêmeas foi o incêndio do Reichtag estadunidense. Da mesma forma que Hittler usou os escombros do congresso alemão para concentrar poderes e começar a segunda guerra mundial, o império atual utilizou o “ataque” como pretexto pra iniciar a invasão do Iraque e a “guerra total ao terrorismo”, significando o terrorismo dos outros, pois não é outra coisa o que as forças ocidentais fazem no mundo árabe. Aliás, no mundo inteiro, nos cinco continentes, a cobiça e a desumanidade dos interesses das grandes empresas têm causado morte e sofrimento, destruição e tragédia.
         Essa explosão de guerras no oriente médio é apenas a parte mais visível, uma batalha na grande guerra mundial em que está envolvida a humanidade, em inconsciência quase plena. A pior guerra, com os piores inimigos, que se fazem de amigos, entram em nossa casa e em nossos pensamentos e nos fazem colaborar com eles pra nossa própria derrota. É a guerra das grandes empresas contra os povos.
         Infiltraram-se nos Estados, nas instituições, bancam campanhas eleitorais para ter seus próprios políticos, determinam leis e concessões, manobram a destruição do ensino público e sua constante sabotagem, controlaram a educação privada e a superior, impondo regras aos currículos para que se moldem aos seus interesses e aos orçamentos para privilegiarem interesses de poucos em prejuízo de muitos. Barbarizaram a saúde pública e privatizaram a maior parte dos serviços, a comando de laboratórios farmacêuticos, planos de saúde e indústria de equipamentos médicos. Controlam as comunicações com a mídia gorda, comercial, privada. Com sua publicidade massiva, suas novelas e programas, moldam comportamentos, formam valores, objetivos de vida, distorcem a realidade, sempre contra o povo e a favor dos poucos “poderosos”, das empresas, manobrando a coletividade para se deixar explorar e acreditar que o mundo é assim mesmo.
         Os sinais estão por todo lado. Na diferença entre uma delegacia de homicídios, precária, e uma de crimes contra o patrimônio, estruturada; entre o prédio de ciências sociais em qualquer escola universitária e o prédio de engenharia ou ciências tecnológicas de interesse empresarial. Na diferença de tratamento dado pelo poder público aos interesses empresariais e aos interesses da maioria da população; entre a consideração com os mais ricos e o desprezo pelos mais pobres. No descumprimento das leis principais da constituição do país, a garantia dos direitos básicos para uma vida decente, pelo próprio Estado. Inúmeros sinais em nosso cotidiano, naturalizado pelas distorções das informações e pela prática cotidiana que, progressivamente, foi se instalando na vida das coletividades, induzidas por uma mídia mentirosa, profundamente aplicada em controlar a mente e o comportamento da população. Superficializando a mentalidade, criando a necessidade do consumo como valor social, dividindo com a ideologia da competição desenfreada, produzindo uma vida angustiante em comportamento de manada, sem um sentido real e profundo, impondo o ter no lugar do ser.
         O inimigo ataca em toda parte, sempre sorrindo dentes brancos, olhos sedutores com juras de amor incondicional, tudo pela sua felicidade, enquanto rouba seus direitos, sua educação, sua consciência, sua vida, os patrimônios e riquezas da sociedade e as possibilidades de melhorar a situação de todos. O pior inimigo, que nos faz colaborar, mais que isso, sustentar esse sistema absurdo, desumano, com nossos comportamentos, nossos pensamentos, nossos desejos, nossas opiniões. Estimula-se o egoísmo, o vencer a qualquer custo, promete-se o paraíso aos vitoriosos e acena-se a todos com essa possibilidade impossível. As correntes da escravidão que nos aprisiona, hoje, são construídas com mentiras altamente planejadas por cérebros lapidados nas academias e implantadas no inconsciente das pessoas desarmadas de senso crítico pela falta de uma educação humanizadora e de informações verdadeiras. Não se recomenda lutar por direitos, mas sim por privilégios – isso é que dá lucro.
         Somos nós, como coletividade, que sustentamos o sistema. Induzidos, programados, desinformados, superficializados, cheios de preconceitos, ameaçados, iludidos ou acovardados, consentimos que o mundo seja assim, que a sociedade seja estruturada desta maneira. A solidariedade irrestrita é francamente indesejável aos que se sentem donos do mundo. Quando nos dermos conta e começarmos a pensar com independência, buscar informações nos meios alternativos, tomar posse dos valores pessoais, o sistema desmorona. Não há defesa mais poderosa que a consciência.
                                                                                                                  Eduardo Marinho, 8.8.11

segunda-feira, 15 de agosto de 2011

A guerra é um latrocínio

Recentemente, uma corajosa trabalhadora civil do exército norte-americano ganhou uma batalha para fazer com que os que lucram com a guerra sejam responsabilizados pelos seus actos.


POR AMY GOODMAN

“Cada guerra que os norte-americanos travaram ou irão travar no futuro fora dos seus limites continentais foi ou será um latrocínio. Um mesquinho, cruel e asqueroso latrocínio.” Assim dizia em 1935 o Major Smedley Butler. A afirmação – “a guerra é um latrocínio” – que também corresponde ao título do seu breve livro sobre o negócio da guerra, ainda soa como verdadeira na actualidade. Recentemente, uma corajosa trabalhadora civil do exército ganhou uma batalha para fazer com que os que lucram com a guerra sejam responsabilizados pelos seus actos. O seu nome é Bunnatine, “Bunny” de apelido, Greenhouse de sobrenome. Quando o seu empregador, o Corpo de Engenheiros do Exército dos Estados Unidos, concedeu, sem chamar licitação, um contrato de sete mil milhões de dólares à filial da Halliburton Kellogg, Brown and Root, mais conhecida como KBR, pouco antes dos Estados Unidos invadirem o Iraque, Bunny fez a denúncia. Fazia parte do seu trabalho: garantir que os procedimentos de licitação competitivos poupassem dinheiro ao governo dos Estados Unidos. Justamente por fazer seu trabalho, foi obrigada a abandonar o seu cargo, humilhada e assediada.

Esta semana, depois de protagonizar uma batalha judicial de mais de meia década, Bunny Greenhouse finalmente venceu. O Corpo de Engenheiros do Exército dos Estados Unidos chegou a um acordo de 970 mil dólares com Greenhouse, que inclui a restituição completa de vencimentos suspensos, compensação por danos e prejuízos, além dos custos legais.

O seu erro foi contestar um contrato de sete mil milhões de dólares outorgado a KBR sem prévia licitação. A invasão do Iraque em 2003 estava prevista para algumas semanas depois e os assessores militares de Bush avaliaram que Saddam Hussein explodiria as reservas petrolíferos como aconteceu na ocasião da invasão norte-americana de 1991. O projecto chamou-se “Restabelecer o Petróleo Iraquiano” ou RIO, na sigla do nome original em inglês, e foi criado para extinguir o fogo nas reservas de petróleo. KBR pertencia naquele momento à Halliburton, cujo presidente até o ano 2000 havia sido ninguém menos que o então Vice-presidente Dick Cheney. KBR foi a única companhia convidada a fazer uma oferta.

Bunny Greenhouse disse aos seus superiores que o procedimento era ilegal. Ignoraram-na. Greenhouse disse que a decisão de outorgar o contrato à KBR veio do Gabinete do Secretário de Defesa, dirigido pelo bom amigo do Vice-presidente Cheney, Donald Rumsfeld.

Como disse Bunny Greenhouse a um comité do Congresso: “Posso afirmar sem equívocos que a corrupção vinculada aos contratos outorgados à KBR representa o mais descarado e desonesto uso indevido de contratos que já vi no decorrer da minha carreira profissional.”

As reservas petrolíferas não arderam em chamas. No entanto, a KBR ganhou a autorização de readaptar o seu contrato não licitado de sete mil milhões de dólares a fim de fornecer combustível e apoio logístico das forças de ocupação. O acerto do negócio (de Estado, via terceirização) foi categorizado como um “contrato de custos reembolsáveis”, o que significa que a KBR não estava em condições de prover os serviços a um preço fixo e estabelecido. Em seu lugar, seriam cobrados os custos mais uma percentagem fixa como lucro. Quanto mais a KBR incluísse custos, mais lucros obteria.

Como chefe do sector de compras, a assinatura de Greenhouse deveria figurar em todos os contratos de valores superiores a dez milhões de dólares. Pouco depois de denunciar o atroz contrato RIO, Greenhouse foi rebaixada de função, foi-lhe retirado o acesso a informação classificada de ultra-secreta e começou a receber as qualificações de desempenho menores. Antes de fazer a denúncia, sempre recebera as qualificações mais altas. Finalmente, renunciou ao seu posto ao deparar-se com um ambiente de trabalho insuportavelmente hostil.

Depois de anos de litígio, o seu advogado, Michael Kohn, presidente do Centro Nacional de Denunciantes (National Whistleblower Center), conseguiu que o caso chegasse a um acordo. Kohn declarou: “Bunny Greenhouse arriscou o seu emprego e a sua carreira quando bateu de frente com o enorme desperdício de dólares dos contribuintes federais e as práticas de contratação ilícitas que aconteciam no Corpo de Engenheiros do Exército. Teve a coragem de se pôr de pé e desafiar poderosos interesses particulares. Evidenciou um ambiente de contratações corrupto nas quais as práticas informais e entre amigos são a norma em que se baseia a aprovação de contratos. A sua coragem levou à realização de modificações legais que impedirão para sempre os grosseiros abusos de poder que ela teve coragem de expor.”

Da sua parte, o director-executivo do Centro Nacional de Denunciantes, Stephen Kohn (irmão de Michael Kohn) disse-me: “Os empregados federais que denunciam práticas ilegais passam por maus bocados. Por isso cada vez que o governo se vê obrigado a pagar danos e prejuízos em virtude de remunerações em dívida, compensação por custos legais, é uma grande vitória. Espero que isto constitua um ponto de inflexão. O caso foi muito aguerrido, embora não devesse ser necessário já que Bunny fez a coisa certa.”

Segundo o economista vencedor do Prémio Nobel Joseph Stiglitz, os custos das guerras no Iraque e Afeganistão por si só superaram os cinco biliões de dólares. Com custos assim, porque não se encontra a guerra no centro de debate sobre a dívida nacional?

O Major Smedleu Butler, por duas vezes vencedor da Medalha de Honra do Congresso, tinha razão há 75 anos quando falou sobre a guerra: “Provavelmente, é o roubo mais velho, de longe, o que deixa mais lucros e, seguramente, o mais impiedoso. É o único cujos ganhos se contam em dólares e as perdas, em vidas. Que acontece em benefício de poucos a custos de muitos.”

Enquanto o Presidente Obama e o Congresso argumentam que a Saúde Pública e a Segurança Social são os dois factores que desestabilizam o orçamento, o povo deveria exigir-lhes que deixem de financiar a guerra.

Denis Moynihan colaborou na produção jornalística desta coluna. Texto em inglês traduzido por Mercedes Camps para Democracy Now! em espanhol. Texto em espanhol traduzido para o português por Rafael Cavalcanti Barreto, revisto por Bruno Lima Rocha, para Estratégia & Análise.

Sobre o autor

Amy Goodman
Co-fundadora da rádio Democracy Now, jornalista norte-americana e escritora.

quarta-feira, 10 de agosto de 2011

Jornal Nacional atropela Código de Ética da Globo

http://www.advivo.com.br/blog/luisnassif/jn-atropela-codigo-de-etica-da-globo

Na chamada das 17h do Jornal Nacional [de ontem, 09/08/2011], Fátima Bernardes anunciou que uma das prisões da Polícia Federal – na operação sobre o Ministério do Turismo – seria de Clarice Coppeti.

Clarice foi vice-presidente de TI da Caixa Econômica Federal. Saiu, está de quarentena, preparava uma palestra na UnB quando foi alcançada por telefonemas desesperados de seus familiares.

É tida na CEF como pessoa corretíssima e, mais: jamais trabalhou em qualquer área ou projeto relacionado com o Ministério do Turismo.

A notícia foi dada sem que os nomes fossem conferidos e os acusados ouvidos.

PS - O Jornal Nacional abriu a matéria pedindo desculpas para a vítima - que está arrebentada, chorando, a mãe velhinha em pânico em Porto Alegre.

terça-feira, 9 de agosto de 2011

A incrível reação da Islândia à crise financeira

http://forum.antinovaordemmundial.com/Topico-a-incr%C3%ADvel-historia-da-isl%C3%A2ndia

Segunda, 01 de agosto de 2011 às 8:47 PDT.

Uma história em um programa de rádio italiano sobre a revolução da Islândia em curso é um exemplo impressionante de como nossa mídia pouco nos diz sobre o resto do mundo. Os americanos podem se lembrar que no início da crise financeira de 2008, a Islândia, literalmente, faliu. As razões foram mencionadas apenas de passagem, e desde então, este membro pouco conhecido da União Europeia caiu no esquecimento.

Um pais após o outro falindo na Europa, colocando em risco a Euro, com repercussões para o mundo inteiro, a última coisa que os poderosos querem é que a Islândia se torne um exemplo. Eis o porquê:

Cinco anos de um regime puramente neoliberal tinha feito da Islândia, (população 320.000, nenhum exército), um dos países mais ricos do mundo. Em 2003 todos os bancos do país foram privatizadas, e em um esforço para atrair investidores estrangeiros, eles ofereceram on-line banking cujos custos mínimos de lhes permitia oferecer taxas relativamente altas de retorno. As contas, chamado Icesave, atraiu muitos pequenos investidores Ingleses e Holandeses. Mas como os investimentos cresceram, assim como a dívida dos bancos estrangeiros. Em 2003 a dívida da Islândia foi igual a 200 vezes o PIB a sua, mas em 2007, era 900 por cento. A crise mundial financeira de 2008 foi o golpe de misericórdia. Os três principais bancos da Islândia, Landbanki, Kapthing e Glitnir, faliram e foram nacionalizados, enquanto o Kroner perdeu 85% de seu valor em relação ao Euro. No final do ano a Islândia foi a falência.

Ao contrário do que se poderia esperar, a crise resultou que os islandeses recuperaram seus direitos soberanos, através de um processo de democracia participativa direta, que finalmente levou a uma nova Constituição. Mas só depois de muita dor.

Geir Haarde, primeiro-ministro de um governo de coalizão social-democrata, negociou um empréstimo de dois milhões de dólares e cem mil, para o qual os países nórdicos acrescentou mais dois milhões e meio. Mas a comunidade financeira estrangeira pressionados a Islândia para impor medidas drásticas. O FMI e a União Europeia queria assumir a sua dívida, alegando que este era o único caminho para o país para pagar a Holanda e a Grã-Bretanha, que prometeu reembolsar seus cidadãos.

Protestos e revoltas continuaram, acabou forçando o governo a demitir-se. As eleições foram antecipadas para Abril de 2009, resultando em uma coalizão de esquerda que condenou o sistema econômico neoliberal, mas logo cedeu às suas exigências que a Islândia pagar um total de três milhões e meio de Euros. Isso exigiu cada cidadão islandês para pagar 100 euros por mês (ou cerca de US $ 130) por quinze anos, a juros de 5,5%, para pagar uma dívida contraída por particulares vis a vis outras partes privadas. Foi a gota d´água .

O que aconteceu depois foi extraordinário. A crença de que os cidadãos tinham que pagar pelos erros de um monopólio financeiro, que uma nação inteira deve ser tributada para pagar as dívidas privadas foi quebrado, transformando a relação entre os cidadãos e suas instituições políticas e, eventualmente, conduzir os líderes da Islândia ao lado de seus eleitores . O Chefe de Estado, Olafur Ragnar Grímsson, se recusou a ratificar a lei que teria feito os cidadãos da Islândia responsável por dívidas seus banqueiros ", e foi marcado um referendo.

É claro que a comunidade internacional só aumentou a pressão sobre a Islândia. Grã-Bretanha e Holanda ameaçou represálias terríveis ameaçando isolar o país. Como os islandeses aprovaram o referendo, os banqueiros estrangeiros ameaçaram bloquear qualquer ajuda do FMI. O governo britânico ameaçou congelar poupanças islandesas e contas correntes. Como Grímsson disse: "Foi-nos dito que, se recusemos as condições da comunidade internacional, nos tornaríamos a Cuba do Norte. Mas, se tivéssemos aceitado, teríamos se tornar o Haiti do Norte. "(Quantas vezes eu já escrevi que quando os cubanos ao ver o péssimo estado de seu vizinho, o Haiti, sentem-se com sorte.)

Em março de 2010 referendo, 93% votaram contra o pagamento da dívida. O FMI imediatamente congelou os seus empréstimos. Mas a revolução (apesar de não televisionado nos Estados Unidos), não seria intimidada. Com o apoio de uma cidadania furiosa, o governo iniciou investigações civil e penais para os responsáveis pela crise financeira. A Interpol lançou um mandado internacional de prisão para o ex-presidente do Kaupthing, Sigurdur Einarsson, como os outros banqueiros envolvidos no escândalo fugiram do país.

Mas os islandeses não pararam por aí: eles decidiram elaborar uma nova constituição que iria libertar o país do poder exagerado das finanças internacionais e dinheiro virtual. (O uso de Um havia sido escrito quando a Islândia ganhou sua independência da Dinamarca, em 1918, a única diferença com a Constituição dinamarquesa sendo que "presidente" a palavra substituída 'rei' da palavra.)

Para escrever a nova constituição, o povo da Islândia elegeram 25 cidadãos, entre 522 adultos que não pertencem a nenhum partido político, mas recomendado por pelo menos trinta cidadãos. Este documento não foi obra de um punhado de políticos, mas foi escrito na internet. Reuniões da constituinte são transmitidos on-line, e os cidadãos podem enviar seus comentários e sugestões, testemunhando o documento como ele toma forma. A Constituição que eventualmente emerge deste processo participativo e democrático será submetido ao parlamento para aprovação após as próximas eleições.

Alguns leitores se lembrarão de que o colapso da Islândia agrária do seculo nono foi apresentada no livro de Jared Diamond. Hoje, esse país está se recuperando de seu colapso financeiro de forma exatamente oposta daqueles que geralmente considere inevitável, como foi confirmado ontem pelo novo chefe do FMI, Christine Lagarde de Fareed Zakaria. O povo da Grécia deve ter considerada a privatização de seu setor público a única solução. E as de Itália, Espanha e Portugal estão enfrentando a mesma ameaça.

Eles devem olhar para a Islândia. Recusando-se a curvar aos interesses estrangeiros, que país pequeno declarou alto e bom som que o povo é soberano.

É por isso que não está nas notícias em lugar algum.

Texto original em inglês: http://www.calameo.com/link?id=18344525

Até Delfim Neto afirmou que essa crise nos Estados Unidos é obra de bandidos

Copiei daqui: http://blogdobriguilino.blogspot.com/2011/08/essa-esta-crise-e-mais-uma-obra-dos.html

Em entrevista no Canal Livre da Tv Bandeirantes deste domingo, dia 7 de agosto de 2011, o ex-ministro Delfim Neto, que não é nenhum esquerdista, antes pelo contrário, afirmou categoricamente que essa crise nos Estados Unidos é obra de bandidos - os mesmos que forjaram a débâcle de 1929.
Antes, no dia 25 de julho, o economista norte-americano Paul Krugman escrevera no New York Times: "Para aqueles que conhecem a história da década de 1930, o que está ocorrendo agora é muito familiar. Se alguma das atuais negociações sobre a dívida fracassar, poderemos estar perto de reviver 1931, a bancarrota bancária mun dial que alimentou a Grande Depressão".

Na segunda-feira, dia 8, enquanto as bolsas de todo mundo despencavam, os "investidores" compravam adoidados os títulos do Tesouro norte-americanos, cujo rebaixamento, por uma agência de risco demoníaca, elevara a taxa de adrenalina dos acionistas à beira de um AVC. Dá para entender?

Crise conjuntural e política, conversa para boi dormir

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